O tênis para idosos ganhou atenção depois que a imprensa brasileira divulgou um estudo do Laboratório de Motricidade Humana da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). A pesquisa indica que idosos que jogam tênis regularmente reagem a um desequilíbrio com a mesma rapidez de jovens sedentários, em menos de 200 milissegundos.
Esse resultado interessa a qualquer família, porque as quedas estão entre os maiores riscos da terceira idade. Entretanto, é preciso ler a notícia com cuidado. O estudo mediu a resposta do corpo a desequilíbrios, e não a agilidade em geral. Além disso, ele avaliou um grupo pequeno e não prova que o tênis causa essa vantagem.
Neste artigo, você vai entender o que o estudo encontrou, como foi feito e quais são seus limites. Em seguida, vai ver o que a OMS recomenda de atividade física para idosos, como começar a se exercitar com segurança e quando consultar um profissional de saúde. Por fim, descobre como a rotina de uma casa de repouso estimula o movimento no dia a dia.
O que o estudo da PUCPR encontrou
O artigo científico se chama Reactive Response of Older Tennis Practitioners and Healthy Young People in Relation to Balance Perturbations (em tradução livre, “Resposta reativa de idosos praticantes de tênis e de jovens saudáveis a perturbações do equilíbrio”). A equipe, coordenada pelo professor Eduardo Mendonça Scheeren, o publicou em 2022 na revista Journal of Science in Sport and Exercise.
O objetivo era verificar se idosos tenistas mantêm características de resposta ao desequilíbrio semelhantes às de jovens saudáveis. O quadro resume os achados principais:
| Medida | Resultado |
|---|---|
| Velocidade do centro de pressão do corpo | Semelhante entre idosos tenistas e jovens |
| Amplitude do deslocamento do centro de pressão | Semelhante entre idosos tenistas e jovens |
| Tempo de reação | Menos de 200 milissegundos nos dois grupos, o que caracteriza uma reação automática |
| Ativação muscular | Maior nos idosos tenistas, que adaptaram a resposta para lidar com o desequilíbrio |
O coordenador explica que os pesquisadores não compararam idosos praticantes com não praticantes, porque o resultado seria previsível. Eles compararam os idosos com jovens sedentários para saber se os tenistas preservavam a resposta postural automática típica da juventude. A resposta foi positiva.
Como o estudo foi feito
A pesquisa comparou dois grupos pequenos:
| Grupo | Participantes | Perfil |
|---|---|---|
| Jovens sedentários | 15 pessoas, com idade média de 23 anos | Sem atividade física regular havia mais de um ano |
| Idosos tenistas | 12 pessoas, com idade média de 69 anos | Mais de 65 anos, praticavam tênis havia mais de dois anos, três vezes por semana, por pelo menos uma hora |
Cada voluntário ficou em pé sobre uma plataforma de força, com os braços ao lado do corpo, e recebeu dez leves impulsos laterais. Uma cinta posicionada no quadril produzia esses impulsos e fazia a pessoa perder o equilíbrio. Com a plataforma e eletrodos, os pesquisadores mediram quantos milésimos de segundo os músculos demoravam para reagir, quanto o corpo se deslocava e com que velocidade.
Esses dados permitem distinguir dois tipos de resposta. A resposta automática é um reflexo que o sistema nervoso gera sem que a pessoa precise pensar. A resposta voluntária demora mais, porque a pessoa primeiro percebe o problema e depois decide o que fazer. Nos dois grupos, os voluntários reagiram em menos de 200 milissegundos, o que caracteriza uma reação automática.
Por que a resposta ao desequilíbrio importa para prevenir quedas
Quando o corpo perde o equilíbrio, cada milésimo de segundo conta. Se a reação demora, a pessoa até consegue dar um passo para se recuperar, mas o impacto já é alto e falta força para manter a perna firme, explica o coordenador do estudo. Por isso, uma resposta rápida e forte ajuda a evitar que um tropeço vire uma queda.
Segundo os pesquisadores, os idosos tenistas compensam o declínio natural do envelhecimento com mais tônus muscular. Eles contraíram os músculos posturais com mais intensidade do que os jovens, uma adaptação que o corpo desenvolve para manter o equilíbrio. Isso ajuda a explicar por que reagiram tão bem à instabilidade.
O tênis também tem características que favorecem esse treino. O jogador mantém o foco na bola, e não no equilíbrio, e isso mantém o sistema de resposta postural automática ativo o tempo todo. Além disso, o esporte envolve muitos movimentos laterais, para frente e para trás, que exigem respostas posturais adaptadas, como destaca um especialista em fisiologia do exercício do Hospital Israelita Albert Einstein.
Em resumo, o estudo reforça uma ideia já conhecida: treinar o equilíbrio e a força ajuda a proteger a autonomia na terceira idade. A seção seguinte mostra, porém, por que o resultado não deve ser lido como uma garantia.
Limitações do estudo: como interpretar o resultado
O estudo traz um dado interessante, mas ele tem limites que a família deve conhecer. As limitações abaixo decorrem do próprio desenho da pesquisa e da leitura dos dados divulgados.
- Amostra pequena: apenas 12 idosos e 15 jovens participaram. Resultados de grupos pequenos precisam de confirmação em estudos maiores.
- Comparação em um único momento: os pesquisadores observaram os grupos uma vez. Por isso, o estudo não mostra que o tênis causou a boa resposta, e é possível que pessoas com melhor condição física escolham o esporte e continuem jogando.
- Teste de laboratório: a pesquisa mediu a reação a impulsos laterais em uma plataforma. Ela não avaliou quedas reais nem a agilidade geral em jogos e atividades do dia a dia.
- Perfil específico: os idosos eram praticantes regulares, com mais de dois anos de tênis, três vezes por semana. O resultado não se aplica automaticamente a quem está começando.
- Comparação com jovens sedentários: esse recorte responde se os tenistas mantêm a resposta da juventude, mas não mede o quanto o esporte melhora a resposta de cada pessoa.
Portanto, textos que afirmam que o tênis “melhora os reflexos” ou “reduz hospitalizações” vão além do que o estudo mediu. O que a pesquisa permite dizer é mais modesto e ainda assim valioso: idosos que praticam tênis com regularidade mantiveram uma resposta ao desequilíbrio semelhante à de jovens sedentários.
O que é a Década das Nações Unidas do Envelhecimento Saudável (2021–2030)?
A Década do Envelhecimento Saudável é um esforço global para que as pessoas vivam mais e vivam melhor. Em 2026, a OMS e a OPAS divulgaram um balanço de meio de período. Segundo a OPAS, quem chega aos 60 anos nas Américas pode esperar cerca de 23 anos adicionais de vida, mas só cerca de 16 com plena saúde. A diferença de sete anos é a maior entre as regiões da OMS.
Essa diferença mostra por que manter o corpo ativo importa. Quanto mais a pessoa preserva força, equilíbrio e autonomia, maior a chance de que os anos adicionais aconteçam com independência. A atividade física regular, como a que o estudo da PUCPR descreve entre os tenistas, é uma das formas de proteger essa autonomia.
Para entender o balanço da OPAS em detalhes, leia o artigo Cuidados de Longa Duração para Idosos.
O que a OMS recomenda de atividade física para idosos
O tênis é uma entre várias formas de se mexer. As diretrizes da OMS para pessoas com 65 anos ou mais valem para qualquer atividade e organizam a recomendação em três frentes:
| Tipo de atividade | Recomendação semanal |
|---|---|
| Aeróbica moderada, como caminhada | De 150 a 300 minutos, ou o equivalente em atividade vigorosa |
| Fortalecimento muscular | Em pelo menos dois dias |
| Equilíbrio e força, em atividades variadas | Em três dias ou mais, para prevenir quedas |
A OMS também orienta reduzir o tempo sentado e lembra que qualquer atividade é melhor do que nenhuma. Quem não consegue chegar a esses números pode começar com pouco e aumentar aos poucos, conforme a capacidade de cada um.
Note que o equilíbrio aparece de forma explícita na recomendação. Ou seja, a lição do estudo não se limita ao tênis: a rotina precisa incluir movimentos que desafiem o equilíbrio e fortaleçam as pernas. Para montar um plano semanal com esses elementos, leia o artigo Como Envelhecer com Saúde.
Tênis ou outra atividade? Como escolher depois dos 60 anos
A melhor atividade é a que a pessoa consegue manter com regularidade e segurança. Por isso, em vez de buscar o esporte “perfeito”, responda a estas perguntas:
- O idoso gosta da atividade? O prazer sustenta a rotina por mais tempo.
- Ela é segura para as condições de saúde dele? Problemas articulares, musculoesqueléticos ou cardiovasculares exigem avaliação antes de começar.
- Há orientação profissional? O acompanhamento de um profissional de educação física qualificado reduz o risco de lesões.
- Ela é acessível? Distância, custo e horários influenciam a regularidade.
- Há companhia? Atividades em grupo ajudam na motivação e na convivência.
No caso do tênis, a especialista do Hospital Israelita Albert Einstein recomenda manter ao menos duas sessões por semana para colher os benefícios e adaptar o programa às capacidades de cada idoso. O pesquisador da PUCPR alerta que a modalidade pode causar lesões em cotovelos, ombros e quadril e que a dor é sempre sinal de que algo não vai bem.
Se o tênis não é uma opção, a recomendação da OMS continua valendo: combine atividade aeróbica, fortalecimento e exercícios de equilíbrio da forma que fizer sentido para a pessoa. Em muitos casos, a fisioterapia ajuda a montar essa combinação de modo seguro.
Como começar a se exercitar com segurança depois dos 60 anos
Quem está parado há tempos deve começar com calma. Siga estes passos e adapte-os à orientação do médico:
- Converse com o médico. Conte quais atividades pretende fazer e informe doenças, dores e medicamentos em uso.
- Procure um profissional de educação física ou um fisioterapeuta. Ele monta um programa adequado à sua condição e corrige a técnica.
- Comece com pouco. A OMS orienta iniciar com pequenas quantidades e aumentar a frequência, a duração e a intensidade aos poucos.
- Mantenha a regularidade. Duas ou mais sessões por semana ajudam a manter os benefícios.
- Prepare o corpo. Aqueça antes e alongue depois, e use calçados firmes e adequados à modalidade.
- Respeite os limites. Pare e procure orientação se sentir dor, tontura ou falta de ar.
- Inclua o equilíbrio e a força. Combine a atividade escolhida com exercícios que desafiem o equilíbrio e fortaleçam as pernas.
- Faça da atividade um momento social. Atividades em grupo reforçam o vínculo e a motivação.
Essas orientações valem para o tênis e para qualquer outra modalidade. Elas também se aplicam a quem já pratica esportes há anos e quer manter a regularidade com segurança.
Quando consultar um profissional de saúde antes de praticar esportes
A recomendação dos especialistas ouvidos pela reportagem é clara: pessoas com problemas articulares, musculoesqueléticos ou cardiovasculares devem consultar um profissional de saúde antes de começar a jogar tênis. O mesmo cuidado vale para outras modalidades.
Procure o médico antes de começar, ou interrompa a atividade e procure avaliação, nestas situações:
- dor que aparece durante ou depois do exercício, sobretudo nos cotovelos, nos ombros, no quadril ou nos joelhos;
- falta de ar, dor no peito, tontura ou palpitações;
- doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, ainda sem controle adequado;
- quedas recentes ou sensação frequente de desequilíbrio;
- uso de medicamentos que causam sonolência ou alteram a pressão;
- alterações de memória ou de orientação, que exigem acompanhamento próximo durante as atividades.
A dor é sempre um sinal de que algo não está bem, lembra o coordenador do estudo. Por isso, não ignore o incômodo nem tente “treinar apesar da dor”.
Para quem tem restrições importantes de mobilidade, a fisioterapia oferece exercícios adaptados e seguros. Converse com o médico para saber se esse caminho faz sentido no seu caso.
Prevenção de quedas: o que fazer além do exercício
O exercício é uma peça importante, mas não resolve sozinho. A prevenção de quedas combina um corpo preparado, um ambiente seguro e acompanhamento de saúde. A OMS reforça que o treino de equilíbrio e força ajuda a prevenir quedas, e outros cuidados completam essa proteção:
- Ambiente: mantenha boa iluminação, remova tapetes soltos e fios no chão e instale barras de apoio no banheiro.
- Calçados: prefira modelos firmes, com solado antiderrapante.
- Visão e audição: faça avaliações periódicas e use óculos e aparelhos auditivos quando houver indicação.
- Medicamentos: peça ao médico que revise periodicamente a lista, porque alguns remédios causam tontura ou sonolência.
- Hidratação e alimentação: mantenha refeições regulares e a ingestão de água ao longo do dia.
- Acompanhamento: procure o médico após qualquer queda, mesmo que não tenha havido ferimento.
As orientações sobre ambiente, calçados e acompanhamento seguem o consenso geral da área e devem ser adaptadas a cada caso. Para ler um guia dedicado ao tema, acesse o artigo Exercícios Físicos para Idosos: Prevenção de Quedas e Melhoria na Recuperação.
Como a rotina de uma casa de repouso estimula o movimento
Manter o corpo ativo exige constância, orientação e companhia, e nem toda família consegue sustentar isso sozinha. Nesse cenário, uma casa de repouso bem estruturada pode incluir o movimento na rotina diária do idoso, sem exigir que ele pratique um esporte específico.
No Espaço Vitalis, a equipe técnica inclui fisioterapeuta, e a agenda semanal reúne atividades físicas, terapia ocupacional, musicoterapia, arteterapia, teatro e pet terapia. A fisioterapia trabalha o movimento conforme a capacidade de cada residente, e a convivência em grupo ajuda a manter a motivação. Como em qualquer atividade, a equipe deve respeitar o ritmo, a saúde e a vontade de cada pessoa.
O Espaço Vitalis também oferece a creche para idosos, na qual o idoso passa o dia na instituição, participa das atividades e volta para casa à noite. Essa opção atende quem deseja se movimentar e conviver sem mudar de moradia. Antes de decidir, visite a unidade, conheça a equipe e confirme como a rotina funciona.
Perguntas frequentes sobre tênis para idosos
O estudo da PUCPR mostrou que idosos que jogam tênis regularmente reagem a desequilíbrios com rapidez semelhante à de jovens sedentários. Os pesquisadores também destacam benefícios para a postura e a estabilidade, mas a prática exige adaptação e orientação.
Não. A pesquisa é uma comparação feita em um único momento, com um grupo pequeno, e não prova causa. Ela mostra que os tenistas mantiveram uma boa resposta ao desequilíbrio, mas não avaliou quedas reais.
Os especialistas ouvidos pela reportagem indicam ao menos duas sessões semanais para colher os benefícios. No estudo, os tenistas jogavam três vezes por semana, por pelo menos uma hora.
A modalidade pode causar lesões em cotovelos, ombros e quadril. Por isso, quem tem problemas articulares, musculoesqueléticos ou cardiovasculares deve consultar um profissional de saúde antes de começar.
De 150 a 300 minutos semanais de atividade aeróbica moderada, fortalecimento muscular em pelo menos dois dias e atividades de equilíbrio e força em três dias ou mais. Qualquer atividade é melhor do que nenhuma.
Conclusão: o movimento é um aliado, e a segurança vem junto
O estudo da PUCPR mostra que idosos que jogam tênis com regularidade mantêm uma resposta ao desequilíbrio parecida com a de jovens sedentários. Esse resultado é valioso, mas deve ser lido com cautela: a amostra é pequena, a comparação foi feita em um único momento e a pesquisa mediu a resposta ao desequilíbrio, e não a agilidade em geral.
A lição prática vai além do tênis. Combine atividade aeróbica, fortalecimento e exercícios de equilíbrio, comece com pouco, mantenha a regularidade e converse com o médico antes de iniciar. Dessa forma, você protege a autonomia do idoso sem correr riscos desnecessários.
Se a sua família busca um ambiente com atividades, fisioterapia e convivência, o Espaço Vitalis convida você a conhecer a casa de repouso e a creche para idosos na Zona Norte e na Zona Sul de São Paulo. Agende uma visita pelo WhatsApp e converse com a equipe sobre a rotina de movimento do seu familiar.
As informações deste artigo têm finalidade educativa e não substituem a avaliação de profissionais de saúde. Consulte um médico antes de iniciar qualquer atividade física.
Fontes pesquisadas
O estudo e a cobertura
- França NA, Nascimento LZN, Papcke C, Scheeren EM. Reactive Response of Older Tennis Practitioners and Healthy Young People in Relation to Balance Perturbations. Journal of Science in Sport and Exercise, 2022; 4(1):82-90. DOI: 10.1007/s42978-021-00130-4. Apenas o resumo foi consultado. Disponível em: journal.hep.com.cn
- CNN Brasil, Agência Einstein. Idosos que praticam tênis são tão ágeis quanto os jovens, revela estudo. Thais Szegö, 22 de novembro de 2024. Fonte do perfil dos grupos, do tempo de reação e das falas dos especialistas. Disponível em: cnnbrasil.com.br
Diretrizes e dados
- OMS. Recomendações da OMS para atividade física e comportamento sedentário: resumo (2020). Versão em português traduzida pela Direção-Geral da Saúde de Portugal, e não pela OMS. Disponível em: desportoescolar.dge.mec.pt
- OPAS/OMS. Américas avançam no envelhecimento saudável, mas ainda enfrentam desafios para 2030. 6 de outubro de 2026. Disponível em: paho.org
Observações para a equipe
O artigo científico foi lido apenas no resumo, e os detalhes de método e de resultados vêm do resumo e da cobertura da CNN Brasil. A página atual atribui a notícia ao Terra, que não foi aberto. As orientações sobre como começar a se exercitar e a prevenção de quedas em casa seguem o consenso geral da área e devem ser revisadas por um profissional de saúde ou de educação física.




